Programa de Becas Omega Resilience Awards (ORA)

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Programa de Bolsas Omega Resilience Awards (ORA)

Convocatória para América Latina Novembro 2022

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O programa de bolsas Omega Resilience Awards (ORA) abre sua convocatória a ativistas latino-americanxs menores de 40 anos que, de diversos campos, possam abordar as causas da crise socioambiental mundial de modos acessíveis e contribuir assim para a construção de alternativas em direção a um futuro mais resiliente. ORA é um projeto da Commonweal, uma ONG com sede nos Estados Unidos com 45 anos de trabalho em diversos campos associados à sustentabilidade, à saúde ambiental, à gestão dos bens naturais marinhos e à medicina integral.

A ideia de policrise global é um termo relativamente novo. Foi cunhado como uma forma abreviada de se referir à interação de um amplo conjunto de fatores de estresse: ambientais, culturais, sociais, tecnológicos e econômicos. Exemplo disto são as mudanças climáticas, a crescente concentração de capital, a deterioração dos governos democráticos, a perda da biodiversidade e o aparecimento de pandemias de origem zoonótica. Estes fatores de estresse interagem de um modo imprevisível, possuem graves consequências socioambientais e promovem grandes deslocamentos de pessoas em busca de alimentos, água, refúgio e segurança. Tudo isso tem um impacto acumulativo que resulta em uma cascata de crises devastadora para a biosfera, que ameaça o futuro e o bem-estar da humanidade e a vida na sua totalidade. A emergência climática, a deficiente resposta ao surgimento da pandemia e a guerra na Ucrânia são manifestações atuais das falhas entrelaçadas que caracterizam a policrise.

Entendemos que para responder às exigências da policrise precisamos repensar nossas formas de vida e organização. Nesse contexto, tudo pode ser objeto de reconsideração, incluídos nossos sistemas culturais, sociais, econômicos e políticos. Alguns analistas vaticinam que a tecnologia -em particular os aplicativos de inteligência artificial (IA) e as tecnologias de energias renováveis- serão nossa salvação. Outros prognosticam um futuro de nacionalismos ecologistas no qual os países reforcem as suas fronteiras para manter longe aqueles que fogem de secas, inundações e fenômenos de calor extremo que tornaram inabitáveis seus territórios de origem. Também, um futuro em que as terras de cultivo produtivas e os fornecimentos de água doce sejam protegidos com afinco. Outros imaginam uma reorganização que coloque a sociedade e a economia humanas em uma posição de paridade com as necessidades da biosfera, em que toda vida seja tratada com respeito e não como mercadoria para o consumo humano. Sem dúvida, um pré-requisito para imaginar um futuro melhor é criar uma compreensão compartilhada a respeito da nossa situação atual.

Na América Latina, o impacto da policrise é desigual e termina sendo especialmente forte nos setores mais pobres. Nesses casos, se sobrepõem a falta de acesso a todo o espectro de direitos (como trabalho, educação, saúde, ambiente) e a exposição a situações de violência institucional. Nesse sentido, os setores mais vulneráveis se encontram diante de uma dupla desigualdade: por um lado, por pertencer ao Sul Global e por outro, por ser parte dos grupos mais desfavorecidos.

Existe outro traço distintivo da policrise na região: a proliferação de projetos extrativistas que se apresentam como soluções para o desenvolvimento local e para o ingresso no país das divisas necessárias para cumprir com os compromissos internacionais. Com frequência, estão vinculados a grandes projetos mineiros centrados em minerais essenciais para a economia das energias renováveis. Em contextos de altíssimos níveis de pobreza e enormes dívidas externas, narrar as razões estruturais que revelam a dimensão financeira do modelo extrativista apresenta sérios desafios.

Com a bolsa ORA, buscamos identificar e apoiar novos modelos de análise, liderança e compromisso que permitam compreender as formas que adquire a policrise nos diferentes países da região e que, por sua vez, inspirem e promovam a ação. Buscamos pessoas que entendam que o velho modo de entender e abordar os problemas de forma isolada não é mais viável e que, pelo contrário, devemos aplicar um olhar multidimensional e sistêmico. Queremos identificar candidaturas que possam traduzir a complexidade do contexto sem gerar uma sensação de paralisia. Buscamos acompanhar projetos que inspirem medidas práticas para desacelerar, ou reverter, os danos causados pelas crises em cascata. Convidaremos essas mesmas pessoas a propor, para as suas comunidades, como poderia ser um futuro mais resiliente.

Os diversos fatores de estresse que compõem a policrise global começam a ser sentidos na forma de climas extremos, secas, fome, migração e extinção de espécies. Mas há um acordo de que a maior parte dos impactos serão sentidos pelas próximas gerações, com um peso desproporcional para as pessoas que moram no Sul Global.

A que pessoas está dirigida a bolsa?

O Programa de Bolsas ORA está dirigido a comunicadorxs, artistas, jornalistas, ativistas e intelectuais públicos menores de 40 anos que estejam radicadxs no Sul Global e que se dediquem a traduzir para o seu público a conexão entre fenômenos aparentemente diferentes -o clima, a água, a saúde e a migração- e suas formas de interação dentro do sistema que abarca a crise ecosocial. Embora sejamos conscientes de que comunicar todo o peso da policrise pode ser intimidante e provocar uma sensação de angústia, buscamos pessoas que possam fazer compreensível a complexidade e servir como criadoras de sentido para seus leitores, espectadores e/ou ouvintes. Que aspecto tem a policrise em uma determinada região, país ou comunidade? Quais poderiam ser respostas resilientes?

Os candidatxs podem vir de qualquer âmbito de trabalho: arte, ativismo, empresarial, jornalismo, academia ou setor público. Os critérios de seleção estarão relacionados com a capacidade dos bolsistas de compreender a complexidade da policrise na forma em que se manifesta em suas comunidades, e de comunicar a sua complexidade motivando à ação. Buscamos candidatxs que usem diferentes canais, meios, linguagens, estratégias e formatos para chegar a diversos públicos. A bolsa está orientada a acompanhar bolsistas com projetos em curso ou inéditos.

Como vai funcionar?

Esse é o primeiro ano em que é lançada a bolsa. Haverá três turmas anuais compostas por 7 bolsistas cada. Cada bolsista receberá uma bolsa de 10.000 dólares para avançar com o seu trabalho.
Omega se associou a três organizações que implementarão o projeto em três regiões geográficas: América Latina, Ásia Meridional e África Subsaariana. As organizações associadas são: Asociación Argentina de Abogados/as Ambientalistas, Start Up! na India, e Health of Mother Earth Foundation na Nigéria. As organizações associadas usaram uma combinação de assessores formais e sua comunicação para trazer à tona possíveis candidatos.

Omega se asoció con tres organizaciones que implementarán el proyecto en tres zonas geográficas: América Latina, Asia meridional y África subsahariana. Las organizaciones asociadas son: Asociación Argentina de Abogados/as Ambientalistas, Start Up! en India, y Health of Mother Earth Foundation en Nigeria. Las organizaciones asociadas utilizarán una combinación de asesores formales y su comunicación para sacar a la luz posibles candidatos.

As pessoas poderão ser postuladas por terceiros ou se candidatar elas mesmas. Se você quer apresentar alguém ou se conhece alguém que deva ser consideradx para o grupo da América Latina, pode completar a informação aquí.

Para qualquer consulta, favor entrar em contato através do seguinte e-mail: becasora@aadeaa.org

Omega e as organizações associadas ao projeto entrarão em contato com os bolsistas de ORA como parte da sua intenção de longo prazo de construir uma comunidade de aprendizagem global em torno às estratégias para promover a resiliência diante da policrise. Além disso, caso seja útil e desejado, a Omega colocará os bolsistas em contato com destacadxs acadêmicxs e analistas que, em muitos casos, fizeram da policrise o centro do seu trabalho. Ao mesmo tempo, esperamos que essas pessoas ampliem a sua análise e visão do mundo graças ao compromisso com as/os bolsistas.

Esperamos que as/os bolsistas usem suas histórias e projetos para ilustrar o alcance da policrise mundial e a variedade de intervenções de resposta a ela. Ao mesmo tempo, esperamos entender melhor como a policrise está afetando as diferentes regiões e quais mensagens inspiram a ação e a esperança. Por sua vez, a Omega divulgará o trabalho dxs bolsistas através da sua rede de financiadores, ONG e aliadxs acadêmicxs. As e os bolsistas terão a oportunidade de apresentar o seu trabalho em fóruns de ONG e financiadores moderados por Omega e outras redes aliadas. A bolsa terá uma duração de um ano, embora esperemos que muitos bolsistas decidam continuar participando como integrantes do ORA.

Datas importantes e FAQ

Nomeações: Entre 25/11 e 31/12/2022 estará aberto o processo para a nomeação. As pessoas interessadas na bolsa, ou terceiros que queiram propor candidatxs, poderão apresentar informação geral do projeto neste formulário (link).
Postulações: Do total de nomeados, a AAdeAA vai selecionar 20 candidatxs para que passem à instância de postulação. A essas pessoas lhes será solicitada informação adicional para entregar até o dia 25/01/2023, momento em que começa a última rodada do processo.
Seleção final: em fevereiro anunciaremos os 7 candidatxs selecionadxs por um júri regional e interdisciplinar que pode ser conhecido.

¿Quiénes se pueden presentar?

Se pueden presentar personas menores de 40 años que vivan en LATAM o que tengan proyectos sobre la policrisis en la región, que sean activistas y tengan un proyecto que desafíe y trate de incidir sobre el contexto actual, buscando llamar la atención, generar conciencia, y acciones resilientes.
Lxs activistas pueden venir de diferentes disciplinas y tener proyectos de diverso tipo (académico, de difusión, artístico, territorial, etc). Los proyectos pueden estar en curso o ser inéditos.

O júri

Maristella
Svampa

Maristela Svampa é uma pesquisadora, socióloga, ativista e escritora argentina. É membro da MIRA (Colectivo Ecofeminista) e CAJE (Colectivo para la Acción por la Justicia Ecosocial). Os seus últimos livros são: 

  • El colapso ecológico ya llegó. Una brújula para salir del maldesarrollo; 2020, com Enrique Viale
  • La transición energética en Argentina, com Pablo Bertinat, 2022).

Carolina
de Moura

Brasil, ativista. Carolina de Moura é uma jornalista e agricultora agroecológica de pequena escala. Ela coordena um projeto de justiça climática e de gênero no Instituto Cordilheira. Carolina tem trabalhado na defesa da natureza e dos direitos humanos para evitar a devastação causada pela exploração mineira. Vive em Brumadinho e luta contra a impunidade das multinacionais responsáveis pelo colapso da barragem de rejeitos na sua região. 

lberto
Acosta

Economista ecuatoriano, es uno de los iniciadores de la campaña para dejar el crudo en tierra en el Parque Nacional Yasuní en la Amazonía de su país. Ex presidente de la Asamblea Constituyente y ex ministro de Energía y Minas, ejerce la docencia universitaria desde 1986. Asesor de organizaciones sociales. Editorialista en varios medios de comunicación. Actualmente es profesor-investigador de la Facultad Latinoamericana de Ciencias Sociales (Flacso). Fue colaborador científico del Instituto Latinoamericano de Investigaciones Sociales, asistente ejecutivo de la Subgerencia de Planificación y subgerente de Comercialización de la Corporación Estatal Petrolera Ecuatoriana (CEPE), posteriormente Petroecuador, así como funcionario de la Organización Latinoamericana de Energía.

Bertha
Zúniga Cáceres

É uma ativista social hondurenha, que desde Maio de 2017, atua como coordenadora geral do Conselho Cívico das Organizações Populares e Indígenas de Honduras (COPINH). A partir desta posição se dedicou à luta social e ambiental, especialmente contra a instalação de megaprojetos que ameaçam os direitos econômicos, sociais, culturais e ambientais do povo Lenca. Ela é filha da líder social Berta Cáceres, assassinada em 2016.